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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Livros - Manual dos Sistemas Prediais de Distribuição e Drenagem de Águas, do Eng.º Vítor Pedroso

 O livro Manual dos Sistemas Prediais de Distribuição e Drenagem de Águas, de Vítor M. R. Pedroso, é uma referência técnica essencial para engenheiros civis, projetistas e estudantes da área das instalações hidráulicas em edifícios. Publicado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), o manual aborda de forma detalhada o projeto, dimensionamento, instalação e manutenção dos sistemas prediais de abastecimento e drenagem de águas.

A obra encontra-se dividida em vários capítulos técnicos que exploram os principais sistemas hidráulicos utilizados nos edifícios modernos. Entre os temas mais relevantes destacam-se os sistemas de distribuição de água fria e água quente sanitária, incluindo critérios de dimensionamento de tubagens, cálculo de caudais, perdas de carga e pressões de serviço. O manual também aborda sistemas elevatórios, grupos hidropressores e instalações de bombagem, fundamentais em edifícios com necessidades de sobrepressão.

Outro tema central do manual é a drenagem de águas residuais domésticas. São explicados os princípios de funcionamento das redes de esgoto predial, ventilação das tubagens, conceção dos ramais de descarga, tubos de queda e coletores prediais. O autor apresenta ainda metodologias de cálculo hidráulico, critérios regulamentares e exemplos práticos de dimensionamento, facilitando a aplicação em projetos reais.

A drenagem de águas pluviais e freáticas também recebe grande destaque. O manual explica como projetar sistemas eficientes para recolha e encaminhamento das águas da chuva, incluindo caleiras, algerozes, tubos de queda e coletores. São ainda analisadas soluções para drenagem de águas subterrâneas em caves e fundações, contribuindo para a proteção das estruturas e para a durabilidade dos edifícios.

Além dos aspetos hidráulicos, o livro dedica atenção à qualidade e conforto das instalações, abordando problemas relacionados com ruídos, odores, acessibilidade para manutenção e estanquidade dos sistemas. O autor apresenta também diversos materiais utilizados nas tubagens, como PVC, ferro fundido e cobre, analisando as suas características técnicas e aplicações mais adequadas.

O manual inclui ainda conteúdos sobre fossas sépticas, sistemas privados de tratamento de águas residuais, retenção de gorduras e hidrocarbonetos, bem como procedimentos de ensaio e receção das instalações prediais. Estas matérias tornam a obra particularmente útil para projetos de moradias, edifícios habitacionais, unidades industriais e infraestruturas técnicas.

Do ponto de vista académico e profissional, este livro é amplamente utilizado em Portugal como apoio ao ensino de instalações hidráulicas e como referência prática para projetos compatíveis com os regulamentos nacionais e normas técnicas aplicáveis. Pela sua abordagem clara e técnica, continua a ser uma das obras mais importantes na área das redes prediais de águas em Portugal.

Manual de Drenagem e abastecimento Predial




quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Livros - Hidráulica Urbana

 Hidráulica Urbana é um livro técnico essencial para engenheiros civis, técnicos e estudantes que querem entender como funcionam os sistemas de água nas cidades (abastecimento, água residuais e drenagem). A obra combina teoria e prática, explicando desde os conceitos básicos até aos métodos de cálculo e dimensionamento usados no projeto e análise de redes urbanas.

O livro começa por explicar o que é hidráulica urbana e porquê é crucial saber gerir abastecimento de água potável e drenagem de águas residuais e pluviais numa cidade. Esta parte dá a base para perceberes como esses sistemas se articulam e quais são os principais desafios na engenharia das cidades.

Uma parte muito prática foca-se em como estimar os caudais de água que uma cidade precisa. O livro apresenta metodologias para calcular a necessidade diária de água e os caudais de esgoto, o que é fundamental para dimensionar redes de distribuição e coletoras.

Depois, o foco passa para as condutas e acessórios (tubos, válvulas, ligações), abordando as características hidráulicas e como selecionar e dimensionar esses elementos. Aqui aprende-se como planear redes eficientes e resistentes às variações de carga e pressão

O livro dedica um capítulo ao armazenamento de água — especialmente reservatórios que servem para regular o fornecimento ao longo do dia. Explica conceitos de equilíbrio hidráulico e os métodos numéricos usados para estudar sistemas em regime permanente.

Uma secção mais avançada trata da modelação matemática das redes de distribuição de água. O livro descreve como aplicar modelos, resolver equações hidráulicas e garantir que a rede fornece água de forma confiável em toda a cidade.

Deixo aqui o link 

Acrescento que usei bastante este livro na minha tese




quinta-feira, 30 de outubro de 2025

CYPE MEP: O software completo para o cálculo de instalações prediais e urbanas

 O CYPE MEP é uma das ferramentas mais completas do mercado para o projeto e cálculo de instalações prediais e urbanas em edifícios residenciais, comerciais e industriais. Desenvolvido pela empresa espanhola CYPE Ingenieros, este software é amplamente utilizado em Portugal por projetistas e engenheiros civis devido à sua integração com o Building Information Modeling (BIM) e à compatibilidade com o Revit, IFC e Open BIM.

O programa permite realizar o dimensionamento, verificação e análise de todas as especialidades técnicas de um edifício, desde o abastecimento e drenagem de águas, ventilação e climatização, até à análise energética e acústica.

Além disso, o CYPE MEP está preparado para cumprir as normas e regulamentos em vigor em Portugal, como o Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios (REH), o Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização (RECS), o Regulamento de Segurança contra Incêndio em Edifícios (SCIE) e as especificações ITED e ITUR para telecomunicações.

No domínio das instalações prediais, o CYPE MEP oferece módulos específicos que automatizam o cálculo e a verificação de todas as redes internas de um edifício.

Entre as principais funcionalidades destacam-se:

  • Abastecimento de água: dimensionamento automático de tubagens, verificação de pressões, seleção de válvulas e dispositivos, bem como cálculo de perdas de carga segundo as normas EN e NP.

  • Águas residuais e pluviais: modelação tridimensional das redes de drenagem, cálculo de diâmetros, inclinações mínimas e ventilação secundária de acordo com as exigências do Regulamento Geral das Edificações Urbanas (RGEU) e da EN 12056.

  • Gás: cálculo e verificação das redes de gás natural e GPL, garantindo a conformidade com a Portaria n.º 386/94 e a EN 1775, incluindo o controlo de pressões e o dimensionamento de reguladores.

  • AVAC (Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado): integração total com o módulo de térmica e energética, permitindo o cálculo das cargas térmicas e o dimensionamento de condutas, grelhas e unidades terminais.

O software oferece também uma interface gráfica intuitiva, onde o engenheiro pode modelar as redes diretamente sobre a planta arquitetónica, obtendo relatórios detalhados e memórias descritivas automáticas — um recurso valioso para a entrega de projetos completos em fase de licenciamento.

Além das redes internas, o CYPE MEP inclui ferramentas específicas para o dimensionamento de infraestruturas urbanas, permitindo ao projetista conceber redes de abastecimento público, saneamento e drenagem pluvial em loteamentos e áreas industriais.

Estas funcionalidades encontram-se integradas no módulo CYPE Urbanismo, que permite definir traçados de condutas, cotas de terreno e declives de coletores, verificando automaticamente as condições hidráulicas de escoamento.

Entre os cálculos automáticos disponíveis estão:

  • Determinação de linhas piezométricas e perdas de carga localizadas;

  • Cálculo de caudais de projeto com base em coeficientes de simultaneidade e intensidade pluviométrica;

  • Geração de perfis longitudinais e listagens técnicas em formato compatível com o AutoCAD ou Revit;

  • Cálculo da capacidade de reservatórios e estações elevatórias para redes com diferentes níveis topográficos.

Esta vertente é particularmente útil em projetos de urbanizações, zonas industriais e infraestruturas municipais, onde o dimensionamento hidráulico é essencial para garantir a funcionalidade e a durabilidade das redes.

Em termos de hidráulica, o CYPE MEP dispõe de algoritmos avançados de simulação de redes pressurizadas e gravíticas. O programa calcula automaticamente as perdas de carga lineares e localizadas, o grau de simultaneidade, o tempo de enchimento de tubagens, e o balanço de pressões em cada ponto da instalação.

O utilizador pode definir materiais de tubagem (PVC, PEAD, cobre, aço galvanizado, entre outros), tipos de ligação, e condições de contorno, com base em catálogos reais de fabricantes.

O módulo hidráulico permite ainda a exportação dos resultados para o CYPECAD MEP Water Systems, integrando o modelo 3D com os restantes sistemas do edifício.

Entre as principais vantagens do cálculo hidráulico no CYPE MEP destacam-se:

  • Simulação precisa de redes complexas com múltiplos ramais;

  • Identificação automática de pontos críticos de pressão insuficiente ou excessiva;

  • Verificação do equilíbrio hidráulico entre ramais;

  • Emissão de relatórios de cálculo detalhados, compatíveis com exigências de fiscalização e auditoria técnica.

O CYPE MEP não se limita ao cálculo hidráulico. Uma das suas maiores vantagens é a integração entre todas as especialidades do edifício.

Com o módulo CYPETHERM, é possível efetuar o cálculo térmico e energético completo de uma habitação ou edifício de serviços, de acordo com o REH (DL n.º 101-D/2020), gerando automaticamente o pré-certificado energético SCE.

Da mesma forma, o CYPE Acústica permite realizar o cálculo do isolamento sonoro entre compartimentos e fachadas, cumprindo os requisitos do Regulamento dos Requisitos Acústicos dos Edifícios (DL n.º 96/2008).

Esta interligação entre as especialidades reduz erros de coordenação e permite que o engenheiro civil entregue um projeto BIM completo, coerente e certificado, desde a modelação até à documentação final.

O CYPE MEP é, sem dúvida, uma ferramenta indispensável para engenheiros e projetistas que pretendem otimizar o seu fluxo de trabalho e garantir conformidade técnica e legal em todos os tipos de projetos de edifícios e infraestruturas.

A sua abrangência funcional, integração BIM e aderência à legislação portuguesa fazem dele um software essencial para quem trabalha com instalações prediais, hidráulica e urbanas.

Se procuras eficiência, precisão e compatibilidade entre especialidades, o CYPE MEP é o aliado ideal para o teu próximo projeto de engenharia.



sábado, 25 de outubro de 2025

WaterCAD e WaterGEMS: Modelação e Análise Avançada de Redes de Abastecimento de Água

 

    Os softwares WaterCAD e WaterGEMS, desenvolvidos pela Bentley Systems, são ferramentas de referência mundial na modelação hidráulica de redes de abastecimento de água. Ambos permitem aos engenheiros projetar, analisar e otimizar sistemas de distribuição de água de forma eficiente e precisa, garantindo o desempenho e a fiabilidade das infraestruturas urbanas.

O que é o WaterCAD?

O WaterCAD é uma solução poderosa e intuitiva para o dimensionamento e análise de redes hidráulicas pressurizadas. Destina-se sobretudo a projetos de pequena e média dimensão, sendo amplamente utilizado em empresas de engenharia, serviços municipalizados e instituições de ensino.

Entre as suas principais funcionalidades destacam-se:

  • Simulação do comportamento hidráulico ao longo do tempo;

  • Análise de pressões, velocidades e caudais;

  • Identificação de perdas de carga e zonas críticas;

  • Dimensionamento automático de condutas e reservatórios.

O WaterCAD integra-se facilmente com o AutoCAD e o MicroStation, permitindo uma transição fluida entre o ambiente de desenho e o de cálculo hidráulico.

O que é o WaterGEMS?

O WaterGEMS é a versão mais avançada do WaterCAD, oferecendo ferramentas adicionais de análise, integração e otimização. É indicado para sistemas complexos e de grande escala, como redes municipais ou regionais.

Além de todas as capacidades do WaterCAD, o WaterGEMS inclui:

  • Integração com ArcGIS, AutoCAD e MicroStation;

  • Análise de cenários e alternativas de operação;

  • Ferramentas de calibração automática e otimização energética;

  • Módulos de gestão de fugas e planeamento de manutenção.

Graças a estas funcionalidades, o WaterGEMS permite uma visão global do sistema, apoiando decisões estratégicas na gestão de redes de abastecimento.

Diferenças principais entre WaterCAD e WaterGEMS

A diferença essencial entre os dois softwares está no nível de integração e automação. O WaterCAD é uma ferramenta robusta e acessível para análises hidráulicas diretas, enquanto o WaterGEMS foi concebido para gestão e otimização avançada, ideal para entidades com grandes bases de dados e sistemas GIS.

Em resumo:

  • WaterCAD → solução mais simples, ideal para dimensionamento e análise tradicional;

  • WaterGEMS → solução completa, voltada para planeamento, operação e gestão inteligente de redes.


A modelação hidráulica permite prever o comportamento de uma rede antes da sua construção ou intervenção. Com estas ferramentas, o engenheiro pode:

  • Garantir pressões adequadas em todos os pontos da rede;

  • Minimizar custos energéticos e perdas de carga;

  • Planear expansões futuras e operações de manutenção;

  • Simular cenários de emergência, como ruturas ou incêndios.

Estas análises aumentam a eficiência, segurança e sustentabilidade das infraestruturas de abastecimento, contribuindo para uma gestão mais racional da água — um recurso cada vez mais precioso.

Tanto o WaterCAD como o WaterGEMS são ferramentas indispensáveis para qualquer profissional que trabalhe com projetos hidráulicos e redes de abastecimento de água. A escolha entre um e outro depende da complexidade do sistema e das necessidades do projeto, mas ambos oferecem soluções fiáveis e precisas para o dimensionamento e a gestão de infraestruturas hidráulicas modernas.




terça-feira, 14 de outubro de 2025

HEC-RAS: O Software de Referência para Cálculo Hidráulico e Modelação de Escoamentos

 

HEC-RAS: O Software de Referência para Cálculo Hidráulico e Modelação de Escoamentos

O HEC-RAS é um dos softwares mais reconhecidos e utilizados mundialmente na área da engenharia hidráulica e dos recursos hídricos. Desenvolvido pelo Hydrologic Engineering Center do Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos (USACE), o HEC-RAS — Hydrologic Engineering Center’s River Analysis System — é uma ferramenta gratuita que permite realizar simulações complexas de escoamentos em canais naturais e artificiais, combinando rigor técnico, versatilidade e uma interface acessível. Ao longo dos anos, tornou-se uma referência incontornável para engenheiros civis, hidrólogos e técnicos que necessitam de analisar o comportamento hidráulico de rios, valas, bacias hidrográficas e estruturas associadas.

A grande popularidade do HEC-RAS deve-se à sua capacidade de modelar diferentes tipos de escoamentos — tanto em regime permanente como em regime não permanente — permitindo uma análise detalhada de fenómenos hidráulicos como cheias, transbordos, variação de níveis de água e efeitos de estruturas como pontes, comportas, canais ou barragens. Esta versatilidade faz do HEC-RAS uma ferramenta indispensável em estudos de risco de inundação, dimensionamento de obras hidráulicas, planeamento urbano e gestão de recursos hídricos. Além disso, a constante atualização promovida pelo USACE assegura que o software acompanha a evolução tecnológica e científica da engenharia moderna, oferecendo modelos cada vez mais realistas e eficientes.

O funcionamento do HEC-RAS baseia-se em equações fundamentais da mecânica dos fluidos, nomeadamente as equações de Saint-Venant, que descrevem o movimento da água em canais abertos. O programa permite ao utilizador introduzir secções transversais ao longo do curso de um rio ou canal, definir condições de fronteira, caudais, declives e rugosidades, simulando o comportamento hidráulico ao longo de todo o sistema. Uma das grandes vantagens é a integração direta com sistemas de informação geográfica (SIG), o que facilita a importação de modelos digitais do terreno (MDT) e a visualização espacial dos resultados. Assim, o engenheiro pode analisar com precisão as zonas de inundação, a extensão de cheias para diferentes cenários e a influência das intervenções humanas sobre o regime hidráulico natural.

Outro ponto de destaque é a interface gráfica do HEC-RAS, que, embora técnica, é bastante intuitiva e permite construir modelos tridimensionais detalhados. Através do módulo de visualização, o utilizador pode observar o comportamento da superfície livre da água em diferentes períodos de tempo, analisar as velocidades do escoamento e identificar as zonas críticas do sistema. Esta abordagem visual é particularmente útil em relatórios técnicos, apresentações e na comunicação entre equipas multidisciplinares, tornando o HEC-RAS não apenas uma ferramenta de cálculo, mas também de apoio à decisão.

Com a versão 5.0 e posteriores, o HEC-RAS passou a incluir modelação bidimensional (2D), o que representa um avanço significativo. Este tipo de modelação permite analisar com muito mais detalhe os fluxos em áreas de inundação complexas, onde o escoamento não segue uma única direção predominante. Em conjunto com a modelação unidimensional (1D), o software oferece a possibilidade de criar modelos híbridos 1D/2D, permitindo um equilíbrio entre precisão e eficiência computacional. Esta capacidade é essencial para estudos de planeamento urbano em zonas ribeirinhas, análise de cenários de cheias repentinas e dimensionamento de infraestruturas hidráulicas sujeitas a eventos extremos.

A aplicação do HEC-RAS em Portugal tem vindo a crescer nos últimos anos, acompanhando a crescente exigência de avaliações de risco de inundação e a necessidade de cumprimento de diretivas europeias, como a Diretiva das Inundações (2007/60/CE). Em projetos de planeamento e ordenamento do território, o HEC-RAS é frequentemente utilizado para delimitar zonas inundáveis, avaliar a eficiência de obras de regularização fluvial e dimensionar estruturas hidráulicas com base em diferentes cenários hidrológicos. Em contexto académico, o software é amplamente ensinado em cursos de engenharia civil, hidráulica e ambiente, servindo de base para o desenvolvimento de competências práticas em modelação hidráulica e análise hidrológica.

Do ponto de vista técnico, o HEC-RAS apresenta-se como um programa extremamente flexível, permitindo a introdução de parâmetros personalizados e a calibração dos modelos com dados observados. O utilizador pode ajustar a rugosidade de Manning, introduzir estruturas como pontes, bueiros e comportas, definir diferentes regimes de escoamento e importar resultados de outros softwares de apoio, como o HEC-HMS (para simulação hidrológica). Esta integração entre ferramentas do ecossistema HEC cria um fluxo de trabalho completo — desde a modelação de precipitação e caudais até à análise detalhada do comportamento hidráulico no terreno.

Outro aspeto importante é a crescente compatibilidade do HEC-RAS com ferramentas de modelação tridimensional e sistemas GIS como o ArcGIS e o QGIS. Esta integração facilita a construção de modelos precisos a partir de dados topográficos obtidos por levantamentos LIDAR ou fotogrametria. Assim, é possível representar com elevado detalhe as margens dos rios, as estruturas de proteção, as infraestruturas urbanas e as zonas agrícolas, tornando o estudo hidráulico mais realista e tecnicamente robusto. O resultado são mapas de inundação de alta qualidade, fundamentais para a elaboração de planos municipais de emergência e para a gestão sustentável dos recursos hídricos.

Além da modelação de escoamentos, o HEC-RAS permite também realizar análises de transporte de sedimentos e qualidade da água. Estas funcionalidades tornam-no particularmente útil em estudos ambientais e em projetos de reabilitação fluvial, onde é importante compreender a dinâmica do leito do rio e o impacto das obras sobre o ecossistema. O módulo de transporte de sedimentos permite prever o assoreamento, erosão e deposição ao longo do curso de água, fornecendo informações valiosas para o dimensionamento e manutenção de infraestruturas hidráulicas. Por sua vez, o módulo de qualidade da água pode simular parâmetros como temperatura, oxigénio dissolvido e concentração de nutrientes, contribuindo para uma análise integrada do meio hídrico.

O HEC-RAS é um exemplo de como a engenharia civil e ambiental evolui em direção à digitalização e à precisão. A sua utilização eficiente requer conhecimento técnico, mas as possibilidades que oferece são vastas, permitindo que um único modelo hidráulico sirva de base para várias análises complementares. O facto de ser um software gratuito e amplamente documentado torna-o acessível a estudantes, investigadores e profissionais, promovendo a padronização de metodologias e a troca de experiências entre técnicos de diferentes países.

Em resumo, o HEC-RAS é mais do que uma ferramenta de cálculo — é uma plataforma completa de análise hidráulica e hidrológica que contribui diretamente para a segurança, planeamento e sustentabilidade das infraestruturas hidráulicas. Seja para estudar o comportamento de um pequeno canal urbano, dimensionar uma ponte sobre um rio de montanha ou avaliar os efeitos de uma cheia extrema numa bacia hidrográfica, o HEC-RAS oferece as ferramentas necessárias para transformar dados em decisões técnicas fundamentadas. Com a sua robustez, precisão e integração com sistemas de informação geográfica, continua a ser o software de eleição para engenheiros civis e especialistas em hidráulica que procuram garantir a fiabilidade e eficiência dos seus projetos em Portugal e no mundo.




sexta-feira, 10 de outubro de 2025

EPANET: O software essencial para a modelação hidráulica de redes de abastecimento de água

 

Modelação hidráulica com o EPANET: funcionamento, aplicações e vantagens

O EPANET é um dos softwares mais reconhecidos e utilizados em todo o mundo para a modelação hidráulica de redes de abastecimento de água. Desenvolvido pela Environmental Protection Agency (EPA) dos Estados Unidos, este programa gratuito permite simular o comportamento hidráulico e de qualidade da água em sistemas pressurizados, como redes de distribuição urbana.
Em Portugal, o EPANET é amplamente usado por engenheiros civis, técnicos municipais e investigadores na área dos recursos hídricos, sendo uma ferramenta indispensável na conceção, análise e otimização de infraestruturas hidráulicas.

O que é e como funciona o EPANET

O EPANET simula o comportamento hidráulico de redes de condutas, reservatórios, bombas, válvulas e nós de consumo. Através de um modelo computacional baseado em equações de continuidade e energia, o software calcula o escoamento, as pressões, as perdas de carga e as velocidades em cada troço da rede, permitindo analisar diferentes condições de funcionamento.
Com base nos dados de entrada — como diâmetros das condutas, rugosidade, curvas de bombas e consumos horários — o programa realiza uma análise em regime permanente ou transitório (variável no tempo), mostrando como o sistema responde a variações de procura ou falhas operacionais.

Uma das grandes vantagens do EPANET é a sua capacidade de simular a qualidade da água ao longo do tempo, permitindo rastrear o movimento de substâncias (como cloro ou contaminantes) dentro da rede. Isto é essencial para avaliar a eficiência do tratamento, a distribuição do desinfetante e a segurança sanitária do sistema.

Principais componentes de uma rede modelada no EPANET

Ao construir um modelo no EPANET, o utilizador define os seguintes elementos principais:

  • Nós (junctions): pontos onde a água é consumida ou distribuída;

  • Condutas (pipes): ligam os nós e transportam o fluxo;

  • Reservatórios e depósitos: fornecem as cotas piezométricas e volumes de armazenamento;

  • Bombas e válvulas: controlam o fluxo e a pressão na rede;

  • Padrões de consumo: definem variações horárias ou sazonais da procura.

O modelo é alimentado com dados de entrada como diâmetros, rugosidade (coeficiente de Hazen-Williams ou Darcy-Weisbach), comprimentos e cotas altimétricas. A partir daí, o EPANET calcula automaticamente os níveis piezométricos, caudais e perdas de carga em cada elemento.

Aplicações práticas do EPANET em engenharia

A modelação hidráulica com o EPANET é essencial em várias fases de projeto e operação de sistemas de abastecimento:

  • Dimensionamento de redes novas: permite testar diâmetros, pressões e cotas, garantindo o desempenho hidráulico e económico adequado;

  • Reabilitação de redes existentes: ajuda a identificar zonas com pressões insuficientes, perdas de carga excessivas ou subdimensionamento de condutas;

  • Gestão operacional: simula falhas de bombas, ruturas e interrupções para avaliar o impacto no abastecimento;

  • Controle de qualidade da água: rastreia o percurso de desinfetantes ou contaminantes;

  • Análise energética: permite calcular o consumo de energia em sistemas de bombagem e propor medidas de eficiência.

Em contextos municipais e de utilities, o EPANET é frequentemente integrado com Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e softwares BIM para uma abordagem mais completa à gestão de infraestruturas. Também serve de base a outros programas comerciais mais avançados, que adicionam interfaces gráficas e ferramentas de calibração automática.

Vantagens e limitações do EPANET

Entre as principais vantagens do EPANET destacam-se:

  • Software gratuito e open-source;

  • Interface simples e intuitiva;

  • Resultados fiáveis e comparáveis a softwares comerciais;

  • Elevada precisão nas simulações hidráulicas e de qualidade da água;

  • Grande comunidade técnica e científica que partilha exemplos e tutoriais.

Contudo, o EPANET também apresenta limitações:

  • Interface gráfica básica e sem integração nativa com CAD ou SIG;

  • Ausência de ferramentas automáticas de calibração;

  • Necessidade de experiência do utilizador para interpretar corretamente os resultados.

Apesar disso, o EPANET continua a ser a ferramenta de eleição para a formação académica, ensino de hidráulica aplicada e projetos de engenharia real, graças à sua robustez e versatilidade.

Boas práticas na modelação hidráulica com o EPANET

Para garantir resultados fiáveis, é fundamental seguir algumas boas práticas:

  1. Recolher dados topográficos e de consumos reais antes de iniciar o modelo;

  2. Verificar a coerência das cotas e a direção dos fluxos nas condutas;

  3. Atribuir padrões de consumo realistas, com base em medições ou normas;

  4. Validar os resultados comparando pressões e caudais simulados com medições de campo;

  5. Documentar as hipóteses adotadas, para permitir revisões futuras do modelo.

Com estas práticas, o EPANET torna-se não apenas uma ferramenta de simulação, mas um verdadeiro instrumento de apoio à decisão na gestão eficiente dos sistemas de abastecimento.


Este software é gratuito !!



sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Folha de Cálculo de Dimensionamento de Poços de Bombagem

 Bom dia, partilho aqui a folha de cálculo que desenvolvi para o cálculo de dimensionamento de poços de bombagem , com estas métricas basta por na vossa memória descritiva que é preciso um grupo de bombagem com estas caracteristicas ou enviar para uma empresa que fabrique bombas que eles aconselham o tipo de grupo de bombagem a utilizar comercial a utilizar


Folha de cálculo de dimensionamento de poços de bombagem

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

CIVIL 3D

 O Autodesk Civil 3D tornou-se uma das ferramentas mais completas para engenheiros civis que trabalham em projetos de infraestruturas. Se durante muitos anos o AutoCAD foi a base para o desenho técnico em engenharia, hoje o Civil 3D vai muito além disso, ao integrar capacidades de modelação inteligente, análise de dados e gestão de projetos que permitem desenvolver soluções de forma mais eficiente e precisa.

Enquanto o AutoCAD é essencialmente uma plataforma de desenho assistido por computador, o Civil 3D utiliza o mesmo ambiente gráfico mas acrescenta um poderoso conjunto de funcionalidades dedicadas à engenharia civil. Isto significa que, para além de criar desenhos técnicos, é possível trabalhar com modelos tridimensionais dinâmicos, aplicar normas de projeto, calcular volumes, analisar drenagens e até prever o comportamento de sistemas viários e hidráulicos.

Na área das estradas, o Civil 3D destaca-se pela capacidade de gerar automaticamente perfis longitudinais, seções transversais e modelação do terreno. O engenheiro pode definir eixos, alinhar cotas e estudar traçados de forma paramétrica, o que facilita a comparação de alternativas e reduz erros. Além disso, os modelos criados são dinâmicos: qualquer alteração num ponto do projeto atualiza automaticamente todo o desenho, algo impossível de conseguir apenas com o AutoCAD.

No campo da hidráulica, o software integra ferramentas para dimensionamento de sistemas de drenagem pluvial e redes de saneamento. É possível modelar tubagens, caixas de visita e condutas, associando-lhes informação realista e verificando o comportamento em diferentes cenários de caudal. Essa integração permite não só projetar redes complexas, mas também analisar interferências com outras especialidades e garantir maior fiabilidade nas soluções.

Outro ponto forte do Civil 3D é o trabalho com modelos digitais do terreno (MDT). Através da importação de levantamentos topográficos, o software permite criar superfícies realistas, calcular volumes de escavação e aterro e até simular movimentações de terras. Este aspeto é fundamental em projetos de loteamentos, plataformas industriais e obras lineares, onde o controlo de volumes tem impacto direto nos custos da empreitada.

Comparado com o AutoCAD, o Civil 3D representa uma evolução natural para os profissionais de engenharia civil. Enquanto o primeiro se limita a desenhar linhas, polígonos e sólidos de forma estática, o segundo trabalha com objetos inteligentes que carregam informação. Um eixo rodoviário, por exemplo, não é apenas uma linha: contém dados de cotas, declives, raios de curvatura e relações diretas com perfis e seções. Essa inteligência do modelo permite maior controlo do projeto e reduz a probabilidade de erros em obra.

Em termos de colaboração, o Civil 3D também oferece vantagens significativas. Os modelos podem ser partilhados entre equipas, integrando-se com outros softwares da Autodesk, como o Revit e o InfraWorks, ou exportados para formatos compatíveis com BIM. Esta interoperabilidade facilita a comunicação entre diferentes especialidades e reforça a tendência atual de digitalização na construção.

Assim, o Civil 3D não substitui o AutoCAD, mas expande-o. Para um engenheiro civil, a diferença está entre utilizar uma ferramenta de desenho ou uma plataforma de projeto completa. Quem trabalha em estradas, urbanizações, redes hidráulicas ou em qualquer obra de infraestruturas encontrará no Civil 3D uma solução que alia precisão técnica, produtividade e integração digital, tornando-o num software indispensável para a prática da engenharia moderna.




sábado, 5 de julho de 2025

Folha de Dimensionamento de Abastecimento

 Boa tarde, deixo aqui a folha de cálculo de abastecimento , pode ser uma ferramenta interessante, confesso que no entanto utilizo mais o Cype Mep para o cálculo de instalações hidráulicas de abastecimento




sábado, 28 de dezembro de 2024

Projetos de Redes de Gás-Gasodutos (Parte 1)

 Um projetista de redes de abastecimento de gás projetas diferentes tipos de redes, começando por estudar o primeiro tipo de redes: GASODUTOS


A legislação de Gasodutos em Portugal tem por base a Portaria nº142/2011 de 6 de abril.




Artigo 1º

     Este regulamento estabelece as condições técnicas e de segurança a que devem obedecer o projeto, a construção, a exploração, a manutenção e a colocação fora de serviço das infra-estruturas da Rede Nacional de Transporte de Gás Natural, doravante designada por RNTGN, visando assegurar o adequado fluxo de gás natural, a interoperabilidade com as redes a que estejam ligadas e a segurança de pessoas e bens.

    A aplicação deste Regulamento é feita aos gasodutos de transporte de gás natural de diâmetro igual ou superior a 100 mm ecujas pressões de operação sejam superiores a 20 bar, assim como aos postos de regulação de pressão pertencentes à RNTGN e adiante designados abreviadamente «gasoduto» e «PRP».


 Artigo 4º - Siglas e Definições


Siglas BV —estação de válvulas de seccionamento; 

DN —diâmetro nominal; 

GN —Gás natural conforme definido na Norma ISO 13686; 

GNL —gás natural liquefeito; 

GRMS —estação de regulação e medida para alta pressão; 

 JCT —estação de válvulas de seccionamento e derivação; 

 PE —ponto de entrega de GN

PMO —pressão máxima de operação; 

 PMA —pressão máxima acidental; 

 PRP —posto de regulação de pressão; 

 RNDGN —Rede Nacional de Distribuição de Gás Natural; 

 RNTGN —Rede Nacional de Transporte de Gás Natural; 

 SCADA (supervisory control and data acquisition) — sistema de controlo, supervisão e aquisição de dados


Atravessamento - o cruzamento da tubagem com outras infra estruturas, nomeadamente ferroviárias, rodoviárias e cursos de água; 

Comissionamento - as atividades requeridas para pressurizar com gás e colocar em operação as tubagens, estações, equipamentos e acessórios; 

Descomissionamento- as atividades requeridas para colocar fora de serviço qualquer tubagem, estação, equipamento ou acessório que contenha gás;


Componentes do gasoduto - os elementos a partir dos quais o gasoduto é construído, nomeadamente:

 a) Tubos, incluindo curvas enformadas a quente;  

b) Acessórios, designadamente reduções, tês, curvas e cotovelos de fábrica, flanges, fundos copados, pontas soldadas, juntas mecânicas; 

 c) Equipamentos, designadamente válvulas, juntas de expansão, juntas de isolamento, reguladores de pressão, bombas, compressores, reservatórios de pressão; 

 d) Fabricações, transformadas a partir dos elementos referidos em cima, tais como coletores, reservatórios de purga de condensados, equipamentos de lançamento/receção de «pigs», medida e controlo de caudal.

Ensaio de estanquidade - um procedimento específico para verificar se os gasodutos e outros componentes do sistema cumprem os requisitos de estanquidade de fugas; 

Ensaio de resistência mecânica - um procedimento específico para verificar se os gasodutos e outros componentes do sistema cumprem os requisitos de resistência mecânica; 

 Fator de segurança - um fator aplicado aquando do cálculo da espessura da parede da tubagem ou da pressão admissível;

Faixa de servidão- a faixa de terreno sobre a qual são constituídos, ao longo de toda a extensão dos gasodutos e nos termos legalmente fixados, direitos de acesso e de ocupação e ainda restrições ao uso dos solos e subsolos necessários às atividades de estudo, construção, conservação, reparação e vigilância de todo o equipamento necessário ao transporte de gás ;

 Pig- (equipamento de limpeza e inspeção) um equipamento que é conduzido através do gasoduto sob a ação do fluxo do fluido, para executar várias atividades internas, como por exemplo separação de fluidos, limpeza ou inspeção do gasoduto.

Ponto de entrega - (PE) limite da instalação da RNTGN, com acesso da via pública, com válvula de seccionamento e junta isolante, onde se faz a entrega de GN à RNDGN ou aos promotores de instalações com acesso direto à RNTGN; 

 Posto de regulação de pressão - (PRP) equipamentos instalados num ponto da rede submetido a uma pressão de serviço variável com o objetivo de assegurar passagem de gás para jusante em condições de pressão predeterminadas;

Pressão de operação- a pressão num sistema sob condições normais de operação; Pressão de projeto - a pressão que serve de base para o cálculo e projeto do sistema;

 Pressão de ensaio - a pressão a que o sistema é sujeito antes da entrada em serviço, para assegurar a operação em segurança; 

 Pressão máxima de operação - (PMO) a pressão máxima a que o sistema pode operar continuamente, dentro das condições normais de operação sem risco de falha de equipamento;

Sistema de controlo da pressão - um sistema que inclui a regulação e segurança da pressão e, eventualmente, o seu registo e um sistema de alarme; 

 Temperatura de operação - a temperatura do sistema sob condições normais de operação; 

 Temperatura de projeto - a temperatura que serve de base para o cálculo do projeto;

sábado, 21 de dezembro de 2024

Transporte do Gás Natural

 




A Rede Nacional de Transporte de GN engloba atualmente 1375 km, Um eixo Sul - Norte, desde o terminal de GNL de Sines até Valença do Minho, Este eixo tem uma derivação para Mangualde.

Um eixo Este – Oeste, desde Campo Maior até próximo da Figueira da Foz. Este eixo tem uma derivação para a Guarda. Foi concluída em 2013 a ligação entre as derivações dos dois eixos, ligando Mangualde à Guarda, o que permitiu reforçar a satisfação da procura na zona centro e norte do país.

Existem duas interligações entre a Rede de Nacional de Transporte de GN com a rede de transporte de Espanha: Campo Maior - Badajoz e Valença do Minho – Tuy.

    
    O Terminal de GNL de Sines está situado na costa atlântica portuguesa, na zona industrial do porto de Sines, aproximadamente a 120 km a sul de Lisboa e compreende instalações portuárias de receção, descarga e recarga de navios metaneiros, instalações para expedição que configuram um entreposto do Terminal de GNL, três tanques de armazenamento de GNL, instalações de processamento de GNL e de despacho de gás natural para o gasoduto que liga o Terminal de GNL de Sines à rede de transporte de gás natural.

    O Terminal é composto por uma estação de acostagem para navios com uma capacidade de 40 000 a 216 000 m3 GNL com um tempo de descarga de aproximadamente 20 horas, três tanques de armazenamento com uma capacidade comercial de 390 000 m3 GNL e sete vaporizadores destinados à regaseificação do GNL. O Terminal de GNL tem umacapacidade nominal de emissão de 900 000 m3(n)/hora, máxima de 1 350 000 m3(n)/hora e pode carregar até 4 500 camiões cisternas por ano.


        A atividade de armazenamento subterrâneo compreende a receção, a compressão, o armazenamento no subsolo e a despressurização e secagemdo gás para posterior entrega à rede de transporte.

     O Armazenamento Subterrâneo do Carriço é uma infraestrutura composta por cinco cavidades de armazenamento de gás natural numa formação salina natural, detida pela REN Armazenagem e pela Transgás Armazenagem, e uma instalação de superfície comum a todo o complexo, detida e explorada pela RENArmazenagem.

    A capacidade atual de armazenamento é de cerca de 238,6 Mm3. No que respeita à capacidade de movimentação da estação de superfície, esta é de 110 000 m3(n)/h na injeção e de cerca de 300 000 m3(n)/h na extração, valores nominais. Encontra-se em fase de projeto a expansão da capacidade de armazenamento com a construção de novas cavidades.






quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Onde os profissionais do Gás podem exercer Funções?

 Onde podem os profissionais da área do Gás exercer funções?


  • Entidades instaladoras de gás (EI)



 Funções:

 a) Execução, reparação, alteração ou manutenção das instalações de gás e das redes e ramais de distribuição de gás; 

 b) Instalação de aparelhos a gás e intervenção em quaisquer atos para adaptar, reparar e efetuar a manutenção destes aparelhos.


Tipo / Categoria: 

 Em função do âmbito da sua atividade, as EI podem ser classificadas em: 

 a) Tipo A, entidades que exercem apenas as funções previstas na alínea a) do número anterior; 

 b) Tipo B, entidades que exercem apenas as funções previstas na alínea b) do número anterior; 

 c) Tipo A+B, entidades que exercem simultaneamente as funções previstas nas alíneas a) e b) do número anterior.

 Quadro de pessoal técnico: 

 As EI devem apresentar e manter um quadro de pessoal técnico com carácter permanente, que inclua pelo menos:

 a) No caso das EI de Tipo A: i) Técnico de gás; ii) Instalador de instalações de gás e de redes e ramais de distribuição de gás; iii) Soldador de aço por fusão, sempre que necessitem de executar a operação correspondente;

b) No caso das EI de Tipo B: i) Técnico de gás; ii) Instalador de aparelhos a gás

 2- Compete ao técnico de gás referido nas subalíneas i) das alíneas a) e b) do número anterior, para além de executar as ações decorrentes da sua qualificação, supervisionar as funções do restante pessoal técnico e assumir a respetiva responsabilidade técnica. 

 3- As EI podem dispor de profissionais que acumulem as funções referidas nas alíneas do quadro de pessoal técnico desde que devidamente qualificados para cada uma das funções que exerçam.

4- O pessoal técnico referido nas alíneas a) e b) quadro de pessoal técnico pode ser contratado pelas EI em regime laboral ou de prestação de serviços, devendo em qualquer dos casos a atividade prestada pelos técnicos ser efetivamente supervisionada pela EI e estar coberta por seguro de responsabilidade civil, garantia financeira ou outro instrumento financeiro equivalente nos termos previstos no artigo seguinte.



  • Entidades inspetoras de gás (EIG)
 Funções

a) Inspecionar as instalações de gás e as redes e ramais de distribuição de gás, incluindo equipamentos e outros sistemas de utilização de gases combustíveis

b) Verificar as condições de instalação e de funcionamento dos aparelhos a gás e, nas condições indicadas no projeto, os sistemas de ventilação dos locais onde existam aparelhos a gás ou destinados à sua instalação. 

 As EIG podem ainda prestar outros serviços no seu âmbito de competência técnica, nomeadamente apreciar projetos de instalações de gás e de instalação dos aparelhos a gás, realizar peritagens, relatórios e pareceres sobre matérias abrangidas pela regulamentação de segurança na área do gás ou de acidentes, em termos que não criem incompatibilidades com a sua atividade de inspeção.

 Quadro Técnico: 

 1- As EIG devem apresentar e manter o quadro de pessoal técnico e administrativo e possuir os meios necessários para cumprir de maneira adequada todas as ações ligadas ao exercício da sua atividade. 

 2- O pessoal técnico das EIG é composto pelo diretor técnico, a quem compete garantir a adequação dos procedimentos e dos métodos adotados pela EIG para desempenho da sua atividade, bem como supervisionar a atuação dos inspetores, e pelos inspetores, a quem compete aplicar os procedimentos inspetivos regulamentares e elaborar o respetivo relatório, na dependência técnica do diretor técnico.

 3- O diretor técnico deve ser engenheiro ou engenheiro técnico, com inscrição válida na respetiva associação profissional de direito público, com experiência de, pelo menos, três anos na área do gás e com formação de base e experiência curricular adequadas, comprovadas mediante declaração emitida pela respetiva associação profissional de direito público. 

 4- O inspetor deve ter a qualificação de técnico de gás, nos termos do capítulo VI, e ter, no mínimo, dois anos de experiência como técnico de gás.

 5- O quadro de pessoal das EIG deve incluir, pelo menos, um diretor técnico, que pode desempenhar as funções de inspetor. 

 6- Caso a EIG efetue a apreciação de projetos, deve dispor de um projetista, qualificado nos termos do capítulo V.

7- O pessoal técnico referido no presente artigo pode ser contratado pelas EIG em regime laboral ou de prestação de serviços, devendo em qualquer dos casos a atividade prestada pelos técnicos ser efetivamente supervisionada pela EIG e estar coberta por seguro de responsabilidade civil, garantia financeira ou instrumento equivalente referido nos termos previstos no artigo seguinte. 

 8- Os diretores técnicos e inspetores das EIG, contratados em regime de livre prestação de serviços, estão sujeitos ao regime de verificação prévia das qualificações constante do artigo 6.º da Lei n.º 9/2009, de 4 de março, alterada pelas Leis n.os 41/2012, de 28 de agosto, e 25/2014, de 2 de maio, pelo impacto das referidas profissões na segurança pública, na vertente segurança das pessoas da competência da DGEG, com a colaboração da associação pública profissional competente.




  •  Entidades inspetoras de combustíveis(EIC)
 Funções: 

 a) Verificar a conformidade das instalações com o projeto aprovado e a sua operação de acordo com as normas técnicas e condições impostas; 
 b) Inspecionar as instalações de armazenamento de combustíveis derivados do petróleo e postos de abastecimento de combustíveis, a pedido dos proprietários, das entidades exploradoras ou das entidades licenciadoras da instalação.

 As EIC podem ainda prestar outros serviços no seu âmbito de competência técnica, nomeadamente apreciar projetos de armazenamento de combustíveis derivados do petróleo e postos de abastecimento de combustíveis, realizar inspeções periódicas a que se refere o artigo 19.º do Decreto-Lei n.º 267/2002, de 26 de novembro, alterado pelos Decretos-Leis n.os 389/2007, de 30 de novembro, 31/2008, de 25 de fevereiro, 195/2008, de 6 de outubro, e 217/2012, de 9 de outubro, peritagens, relatórios e pareceres sobre matérias abrangidas pela regulamentação de segurança na área dos combustíveis, em termos que não criem incompatibilidades com a sua atividade de inspeção.

 Quadro Técnico:

 1- As EIC devem apresentar e manter um quadro de pessoal técnico e administrativo e possuir os meios necessários para cumprir de maneira adequada todas as ações ligadas ao exercício da sua atividade. 

 2- O pessoal técnico das EIC é composto pelo diretor técnico, a quem compete garantir a adequação dos procedimentos e dos métodos adotados pela EIC para desempenho da sua atividade, bem como supervisionar a atuação dos inspetores, e por inspetores, a quem compete aplicar os procedimentos inspetivos regulamentares e elaborar o respetivo relatório, na dependência técnica do diretor técnico.

3- O diretor técnico deve ser engenheiro ou engenheiro técnico, com inscrição válida na respetiva associação profissional de direito público, com experiência de, pelo menos, três anos e com formação de base e experiência curricular adequadas, comprovadas mediante declaração emitida pela respetiva associação profissional de direito público.

4- O inspetor deve ser engenheiro ou engenheiro técnico, com inscrição válida na respetiva associação profissional de direito público, com experiência de, pelo menos dois anos, e com formação de base e experiência curricular adequadas, comprovadas mediante declaração emitida pela respetiva associação profissional de direito público.

 5- O quadro de pessoal das EIC deve incluir, pelo menos, um diretor técnico, que pode desempenhar as funções de inspetor. 

 6- O pessoal técnico referido no presente artigo pode ser contratado pelas EIC em regime laboral ou de prestação de serviços, devendo em qualquer dos casos a atividade prestada pelos técnicos ser efetivamente supervisionada pela EIC e estar coberta por seguro de responsabilidade civil, garantia financeira ou instrumento equivalente nos termos previstos no artigo seguinte.

 7- Os diretores técnicos e inspetores das EIC, contratados em regime de livre prestação de serviços, estão sujeitos ao regime de verificação prévia das qualificações constante do artigo 6.º da Lei n.º 9/2009, de 4 de março, alterada pelas Leis n.os 41/2012, de 28 de agosto, e 25/2014, de 2 de maio, pelo impacto das referidas profissões na segurança pública, na vertente segurança das pessoas da competência da DGEG, com a colaboração da associação pública profissional competente.





  •  Entidades exploradoras das armazenagens e das redes e ramais de distribuição de gás da classe I e II (EEG);
 Funções:

 a) Assegurar a exploração técnica das armazenagens e das redes e ramais de distribuição de gás, bem como a respetiva manutenção e assistência técnica, de acordo com as disposições legais e as regras técnicas aplicáveis; 

 b) Prestar esclarecimentos e assistência técnica aos consumidores e aos proprietários das instalações, sempre que para tal forem solicitadas; 

 c) Assegurar o atendimento e a assistência técnica em situações de emergência;

d) Promover, através das entidades inspetoras referidas nos capítulos III e IV, materialmente competentes, a realização das inspeções periódicas das armazenagens e das redes e ramais de distribuição de gás, nos termos previstos no artigo 11.º do Decreto-Lei n.º 125/97, de 23 de maio, alterado pelo Decreto-Lei n.º 389/2007, de 30 de novembro; 

 e) Suspender o fornecimento de gás sempre que se verifiquem situações que ponham em causa a segurança das instalações, das pessoas e dos bens, dando de imediato conhecimento do facto à entidade licenciadora.

Classificação:

 a) Classe I, entidades que abasteçam mais de 2000 consumidores ou, independentemente do número de consumidores, alimentem as suas redes e ramais de distribuição por reservatórios; 

 b) Classe II, entidades que abasteçam até 2000 consumidores através de postos de garrafas.

 Quadro Técnico

1- As EEG devem apresentar e manter um quadro de pessoal técnico, que inclua pelo menos: 
 a) No caso das EEG de classe I: i) Engenheiro ou engenheiro técnico, com inscrição válida na respetiva associação profissional de direito público, com pelo menos três anos de experiência na área do gás e com formação de base e experiência curricular adequadas, comprovadas mediante declaração emitida pela respetiva associação profissional de direito público; ii) Técnico de gás;iii) Instalador de instalações de gás e de redes e ramais de distribuição de gás; iv) Soldador de aço por fusão, sempre que necessitem de executar as operações correspondentes; b) No caso das EEG de classe II: i) Técnico de gás; ii) Instalador de instalações de gás e de redes e ramais de distribuição de gás; iii) Soldador de aço por fusão, sempre que necessitem de executar as operações correspondentes.

 2- Estando a atividade profissional referida na subalínea i) da alínea a) do número anterior reservada a profissionais com título de engenheiro ou engenheiro técnico, a autoridade competente para os procedimentos referidos no número anterior é a respetiva associação profissional de direito público.

 3- Compete ao engenheiro ou engenheiro técnico e ao técnico de gás mencionados nas subalíneas i) da alíneas a) e b) do n.º 1 supervisionar as funções do restante pessoal técnico e assumir a responsabilidade técnica

 4- As EEG podem dispor de profissionais que acumulem as funções referidas nas diversas subalíneas das alíneas a) e b) do n.º 1, desde que devidamente qualificados para cada uma das funções que exerçam. 

 5- O pessoal técnico referido no presente artigo pode ser contratado pelas EEG em regime laboral ou de prestação de serviços, devendo em qualquer dos casos a atividade prestada pelos técnicos ser efetivamente supervisionada pela EEG e estar coberta por seguro de responsabilidade civil, garantia financeira ou instrumento equivalente referido nos termos previstos no artigo seguinte.

6- Em alternativa ao pessoal técnico referido na alínea b) do n.º 1, as EEG de classe II podem celebrar contratos de prestação de serviços com uma EI de Tipo A+B

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Projetos de Redes de Gás - Tipos de Gases

 

O que é um Projetista de rede de gás?


Os projetistas de redes de gás desempenham um papel crucial na segurança e eficiência das instalações de gás. Eles podem exercer funções em diversas entidades, como Entidades Inspetoras de Gás (EIG) e Entidades Instaladoras de Gás (EI), onde são responsáveis pela supervisão e execução de projetos de gás.

Para atuar nesta área, os profissionais devem cumprir requisitos específicos, incluindo a obtenção de um seguro de responsabilidade civil, que deve cobrir riscos associados à sua atividade, com um valor mínimo estipulado. Além disso, os diretores técnicos e inspetores das EIG precisam passar por um regime de verificação prévia das suas qualificações, conforme a legislação em vigor, para garantir a segurança pública.

A atuação dos projetistas é fundamental não apenas para a conformidade legal, mas também para a proteção das pessoas e do meio ambiente, refletindo a importância de um trabalho bem feito na área de gás.


O que é um Gás combustível?

 Gases combustíveis, o GN, os gases de petróleo liquefeito (GPL), os gases provenientes do tratamento de carvões e os resultantes da biomassa, ou outros destinados a alimentar aparelhos de acordo com a norma NP EN 437:2003+A1, relativa aos Gases de Ensaio, Pressões de Ensaio e Categorias de Aparelhos;


Quais as família de gás combustível?


 1º Família 

 2º Família 

 3º Família


1º Família Gás Cidade Características Potência energética : 22,4 MJ/m3 < W < 24,8 MJ/m3 Origem : Tratamento de carvões e industria petroquímica Distribuição : Exclusivamente fase Gasosa

2º Família Gás Natural Características Potência energética 39,1 MJ/m3 < W < 54,7MJ/m3 Origem : Jazidas de Petróleo Transporte : Fase líquida ou gasosa Distribuição : Fase gasosa

3º Família GPL (Butano e Propano) Características Potência energética: 72,9 MJ/m3 < W < 87,3 MJ/m3 Origem : Refinação do Petróleo Bruto Transporte : Fase Líquida Distribuição : Fase Gasosa

 Gases de Substituição:

1º Família

 Ar Propanado, Ar Butanado ou Ar Metanado 

2º Família 

 Ar Propanado, Ar Butanado 

3º Família Não tem


Quais as densidades dos gases combustíveis?


O que é o Gás Natural?

O gás natural é um combustível fóssil, ele é composto principalmente por metano, mas a sua composição varia consoante a sua origem, sendo sempre o metano o seu principal componente.




Os principais constituintes do gás natural pertencem a um grupo de compostos orgânicos chamados hidrocarbonetos. São formados apenas por átomos de carbono e hidrogénio.


Que vantagens tem?


Económicas O Gás natural é atualmente o gás combustível com o preço mais baixo por kW/h. Como é utilizado no seu estado natural, não necessita de ser submetido a processo de transformação.

Conforto O Gás Natural é uma energia cómoda e quase inesgotável. Está disponível de uma forma contínua, diminuindo em muito a possibilidade de se verificarem falhas no seu fornecimento. Por ser distribuída através de canalizações, evita desta forma o incómodo de substituição das garrafas, tornando-se desta forma mais prático, seguro e disponível

Segurança O Gás Natural é uma das energias mais seguras. Possui um densidade relativa inferior ao Ar o que ajuda na sua dissipação em caso de fuga. Pode ser utilizado em “Caves”, desde que sejam asseguradas as condições de segurança

 Ambiente Composto essencialmente por Metano, possui um índice de toxicidade baixo. Ao ser queimado em condições normais, a sua combustão apresenta teores muito baixos de emissões poluentes, não libertando cinzas Os produtos resultantes da sua combustão são idênticos aos da respiração humana


O que é o Propano?

O propano é um hidrocarboneto alifático que dispõe de três átomos de carbono. Este gás, que deriva do petróleo, tem diversas utilizações no âmbito da indústria e mesmo para o lar.

O butano é um gás incolor e inodoro altamente inflamável e obtido pelo aquecimento do petróleo. Assim, ele é um derivado do petróleo e, portanto, é uma fonte de energia não renovável O butano é um gás utilizado para o aquecimento e como combustível (doméstico e industrial), sendo mais comum nas botijas de gás para a cozinha.


Estes são dos gases mais usados nas redes de abastecimento de gás